Aviação sempre ‘aprende’ com acidentes aéreos

Publicado em 24 de junho de 2010

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Acidente da Air France 447 completou 1 ano

THAÍS SABINO

Todo acidente aéreo, que tenha as causas bem investigadas, contribui para o aperfeiçoamento do setor aeronáutico mundial, de acordo com o Coronel Aviador Luiz Claudio Magalhães, vice-chefe do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa).

“Tudo é planejado para dar certo, o piloto é treinado, o equipamento é avaliado e aí acontece o acidente e descobrimos que algo fora do previsto aconteceu”, disse ele. Segundo o Coronel, a investigação das causas do ocorrido é fundamental tanto para o aperfeiçoamento dos equipamentos, quanto para o treinamento dos pilotos.

“Há cerca de dez anos, ninguém sabia o que era uma tesoura de vento”, afirmou o engenheiro de vôo Ernesto Klotzel, sobre o fenômeno natural em que o vento muda de direção inesperadamente. O engenheiro também falou do “microburst” – quando durante o pouso a aeronave sofre uma pressão de ar de baixo para cima – que levou anos para ser descoberto e enquanto isso causou uma série mortes. O Delta 191, que caiu em uma estrada e deixou 136 mortos é um exemplo. 

Mas, para que as causas sejam descobertas “a caixa preta é importantíssima”, disse o Coronel Magalhães.

Air France: Acidentente sem solução

Para o Coronel, a situação da companhia aérea francesa “é de hipóteses”. Após um ano de buscas, a caixa preta do voo AF 447 ainda não foi encontrada e não há a certeza do que provocou a morte das 228 pessoas que viajava entre o Rio de Janeiro e Paris, no dia 31 de maio de 2009.

De acordo com o vice-chefe do Cenipa, existe um sistema que “envia informações, via satélite, de tempos em tempos a uma central”. Mas, os dados não são tão completos como o que é gravado pela caixa preta do avião. “A França está com um nível razoável, abaixo do bom, de informações”, disse ele.

Para Klotzel, é importante que o país descubra as causas do acidente, não só como um compromisso com a população, mas para não deixar um clima de “suspeita em relação ao modelo do avião”.

Procurada pelo Zona Repórter, a Air France informou que a legislação francesa proíbe qualquer pronunciamento da empresa sobre o caso, durante as investigações.

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Posted in: Cotidiano